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Jovem conta moedas para pagar curso profissionalizante


Guilherme Walker, 22 anos, quita mensalidades de curso em escola de efeitos visuais com moedas e notas de R$ 2

Com a perícia de um cirurgião, Guilherme Walker, 22 anos, ajeita 60 trufas de chocolate em uma bolsa térmica. Depois, cruza os dedos para que a chuva e o sol intenso deem trégua enquanto ganha as ruas de Taguatinga e Águas Claras, onde há um ano vende doces em semáforos. Cada centavo recebido é guardado em sacolas plásticas para quitar as mensalidades dos cursos em que o rapaz está matriculado na expectativa de se tornar desenvolvedor de jogos eletrônicos.


Além de garantir o próprio sustento e o da mulher, Ana Laura de Melo, 21, com quem divide quitinete na Colônia Agrícola Samambaia, Guilherme trabalha para bancar sua formação. Ele está matriculado em quatro escolas. Uma delas, a Gracom, em Taguatinga. O lugar é um centro autorizado da Adobe – a maior produtora do mundo de softwares para o desenvolvimento de efeitos visuais. Lá, Guilherme aprende a editar vídeos, criar sites, manipular fotos e fazer desenhos digitais. Tijolos de um sonho que o jovem constrói bombom a bombom. O curso custa a Guilherme R$ 289,90 por mês. Ou 97 trufas.


Há oito meses, a cada dia 10, Guilherme surge com um saco plástico abarrotado de moedas e notas de R$ 2. Esse é o tesouro do estudante que projeta um dia viver do promissor mercado digital.


A especialização em efeitos visuais vai formar os